domingo, 26 de dezembro de 2010

Dica do Rouxinol: Instruction Manual for Life

Rouxinol is back! Queridos amigos, o nosso Ninho Virtual jamais será abandonado! Vosso amigo Cantor do Velho Mundo estava simplesmente se organizando por uns tempos, e preparando muito mais conteúdo pra vocês. Hoje especialmente, celebrando a imensa harmonia que circula entre as pessoas durante as festividades de Natal – que é o que realmente importa, e não um suposto acontecimento datado de 2010 anos – surge no bico do Rouxinol mais um vídeo-reflexão. As diferenças entre os seres humanos, e o subsequente preconceito vindo dessas diferenças, são o tema de hoje. O interessante do vídeo é que a interpretação do que se fala no mesmo é completamente aberta... Logo, a pergunta não é sobre o que o vídeo se trata, e sim... O que você vê?

Com vocês, Instruction Manual for Life:




O Rouxinol deseja a todos – simbolicamente – um Feliz Natal, e um feliz rito de passagem para o ano ocidental de 2011.

domingo, 10 de outubro de 2010

Dica do Rouxinol: Fard (Curta)

É dia de mais um post do Rouxinol. Caros amigos, hoje o passarinho lhes contará, a respeito de mais um Curta-Metragem. Esse, rotulado Fard (traduzido para o português algo como maquiagem), vem da França, e correu por diversos festivais independentes de cinema ao redor do mundo, sempre trazendo reflexão e admiração por onde era assistido. Apesar do prestígio, foi difícil de trazer essa pérola a vocês (Não tinha nem no Youtube). Hoje, hospedado no Vimeo - o Canto do Rouxinol cada vez mais sofisticado – rumo à Dominação Mundial! – e ainda na língua natal, infelizmente. Porém, não é necessário saber francês, pra compreender o que se passa na tela (tenho fé que para todos vocês que acompanham o Canto do Rouxinol, meia palavra bastará). =]



Fard trata de uma questão certeira, e inevitavelmente preocupante: A expansão da tecnologia, e da padronização do nosso estilo de vida, acaba por esconder e nos fazer esquecer o status inicial da nossa sociedade: o status humano.






O Rouxinol parafraseia: Olhos abertos, porque sempre “existe algo atrás do trono, maior que o próprio Rei” – Sir William Pitt.

sábado, 2 de outubro de 2010

Rouxinol apresenta: O Samurai Vingador

Um samurai era encarregado da segurança pessoal do soberano. Um dia alguém foi mais esperto que ele, e o soberano foi assassinado.

Durante muito tempo o samurai perseguiu o assassino. Depois de oito anos, viu-se frente a frente com ele. No momento em que ia matá-lo, o assassino – desesperado – cuspiu em seu rosto.

O samurai colocou a espada na bainha, deu meia-volta e voltou para sua terra.

“A perseguição e o combate faziam parte do meu código de honra”, disse o samurai, quando lhe perguntaram o motivo de seu gesto. “Quando aquele homem cuspiu no meu rosto, passei a odiá-lo. Então, se o matasse, seria por causa do meu ódio, e não pela honra de meu soberano. Um guerreiro jamais é escravo do seu ódio”.

- Do grande Mago Paulo Coelho

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Bicando em Filmes: A Lista de Schindler – Schindler's List (1993)

"This list is an absolut good... this list... is life". – Ithzak Stern

O que você faria se, em um tempo de guerra, de sangue inocente correndo pelas ruas, de atrocidades cometidas das formas mais banais diariamente, de uma purgação ao impróprio e ao incomum... você tivesse em suas mãos o poder para salvar uma vida? Abriria mão de tudo que você conquistou ao longo da vida, seu dinheiro, seu status social, seus amores e família, para salvar aquela única vida? E se fossem... mais de mil vidas em suas mãos?

Essa é a história de Oskar Schindler, na obra-prima cinematográfica A Lista de Schindler (1991), mais do que recomendado pelo Rouxinol. Nesse momento, é provável que exista uma geração inteira que nascera depois do estrondo que esse filme causou em seu ano de lançamento, e que desconhece a grandiosidade, a relevância, e o impacto monumental que A Lista de Schindler traz, em suas 3 horas e 14 minutos de película.




A saga começa em 1939, no começo da 2ª Guerra Mundial. A Polônia, invadida pelas forças alemãs de Hitler, começa a relocação de judeus polacos para as áreas do gueto de Cracóvia, capital do país. Todos os judeus do país são confinados em uma apertada area de 16 quadras. Enquanto isso, chega a cidade um homem de negócios alemão, Schindler (brilhantemente vivido por Liam Neeson), que decide utilizar a grande massa judia desempregada como mão-de-obra em sua fábrica, para lucrar na guerra. Ele recruta um contador judeu, Ithzak Stern (Sir Ben Kingsley, numa atuação emocionante), e ganha aliados, e um status no Partido Nazista.

Algum tempo depois, com o avanço da Guerra, os soldados alemães, sob o comando do Capitão da SS Amon Göth (Ralph Fiennes, outro monstro do cinema), começam uma Operação Limpeza em Cracóvia, exterminando todos que não cooperassem a serem mandados para o campo de concentração de Plaszow. Após isso, Schindler vai atrás de seus trabalhadores, e consegue firmar a empresa outra vez, o que salva muitas vidas, já que os corpos se empilham diariamente conforme a vontades dos sadistas oficiais alemães.

Porém, logo os judeus são mandados para o campo de extermínio de Auschwitz, e cabe apenas a Schindler salvar a todos seus trabalhadores mais uma vez, nem que tenha que arriscar toda sua fortuna adquirida, e até sua vida.




Cenas que chocam a audiência se repetem com uma incredulidade, e muitas vezes, é difícil acreditar que o que se passa na tela (que é ficção) aconteceu de verdade, e ceifou milhões de vidas. A levianidade com que pessoas são mortas pelas forças alemães, emociona e ao mesmo tempo, traz uma péssima sensação de voyeurismo, e culpa pelas atrcidades humanas, cometidas pelos pais de nossos pais. O mais sádico, e portanto o mais desesperador do filme, é a fina esperança do povo judeu, que acha que vão voltar pra casa quando pegam os trens rumo a Plaszow, e o filme mostra seus pertences sendo roubados, penhorados e destruídos; que pensam que a vda no gueto não pode piorar, quando surge a chacina de todos os que não são efetivos para a guerra – uma guerra contra eles mesmos, por sinal. A força para não desabar em lágrimas em frente aos filhos, toca. E no lugar, desaba a audiência.

Somado a tudo isso, vem o personagem principal do longa: Schindler, um anti-herói para o povo judeu - Nazista, rico, aliado aos militares alemães... - que justamente, é a pequena Luz em um mundo tomado por Trevas, por qual todos anseavam. Ele era um homem, e um homem apenas. Mas, mesmo sendo um, ele jogou tudo o que conquistara ao longo da vida fora, em prol do bem maior. Citando seu epitáfio (e o Talmud – um dos textos centrais do judaísmo): "Quem salva uma vida, salva um mundo inteiro". E quem salva 1200 vidas, como Schindler?

Ao se aproximar o final do espetáculo, a Guerra e a perseguição aos Judeus, cessam. E pra coroar a montanha-russa de emoções perturbadoras, vem a cena onde Schindler, como membro do Partido, tem que fugir para salvar sua pele do Exército Russo. Os diálogos, os olhares, e expressões de todos os trabalhadores em relação ao Herr Schindler, acabam com qualquer certeza sobre o certo e o errado, conceitos tão usados e justificados na nossa sociedade. Ilustrando o gran finale, vêm a máxima: "Numa Guerra, não há vencedor e perdedor. Ambos são perdedores."

Segue um trailer, para já se começar a engolir em seco, e se preparar para uma verdadeira viagem:





Um Marco Cinematográfico, um dos melhores filmes de todos os tempos – Um pequeno objeto brilhante, mais do que digno de perambular por aqui, no Canto do Rouxinol =]

P.s. do Rouxinol: Em breve, uma análise mais aprofundada sobre a Garotinha do Casaco Vermelho, presente no filme A Lista de Schindler. Curiosos? Voem atrás para assistí-lo!




sábado, 11 de setembro de 2010

Bicando em Livros: Isaac Asimov - O Fim da Eternidade (1955)

Voltando ao garimpo das vasta coleção de pedrinhas preciosas talhadas pelo grande Isaac Asimov, eis que o Rouxinol vem hoje com um livro, chamado O Fim da Eternidade. Um dos poucos (senão o único) livros de Asimov que tratam de outro campo amplamente explorado na Ficção Científica, porém poucas vezes descritos com real qualidade – Viagens no Tempo.

O furor sobre seres humanos se deslocando pela Linha do Tempo, enfrentando paradoxos temporais e mudando seus passados e futuros nasceu da mente de H.G. Wells, no livro "A Máquina do Tempo" em 1895, há mais de 100 anos atrás. Desde então, muitos se aventuram nessa corrente, contando histórias sobre futuros longínquos, e mais simbolicamente, a confrontação de destino (definido pelas Leis do Universo), com o livre-arbítrio da ação humana: Pode alguém voltar ao passado, e alterar a história ao ponto de que essa mesma pessoa não venha a nascer? Se não, quem ou que o impediria? E se sim, se aquela pessoa não vier a existir, quem que fez a mudança temporal pra início de conversa?


O "exemplo máximo da modalidade" das teorias de Viagens no Tempo, como o próprio Asimov descreve, é o romance "Fim da Eternidade". Aqui, a Eternidade é uma organização de humanos, denominados Eternos, que encara o Tempo como um prédio, os Séculos sendo os infintos andares (para cima e para baixo), e cada andar se dedica a estudar, analisar, e se necessário, alterar o curso daquela história, visando o "Bem Maior" da humanidade.

Nesse contexto, somos apresentados a Andrew Harlan, um Eterno que tem a profissão de Técnico (o executor das Mudanças de Realidade). Ele é do Século 95, e assim como todos os Eternos, sua existência foi apagada de seu Tempo normal, e ele não pode constituir família – a não ser em circunstâncias muito especais - , nem nada que o prenda emocionalmente ao Tempo. Harlan, diferente de muitos, parece ter um interesse na história primitiva do homem, aquela de antes da Eternidade surgir – o que se deu no Século 24, quando foi inventado o Campo Temporal.  E graças a isso, Harlan é designado para ensinar História Primitiva a um Aprendiz especial, chamado Cooper.

Até que certo dia, Harlan viaja para fazer uma Mudança de Realidade, e conhece uma Tempista (moradora da Linha do Tempo, um ser humano normal) chamada Noys Lambent. Harlan se apaixona por ela, mas acaba por descobrir que na próxima Mudança de Realidade, Noys terá sua existência apagada definitivamente. Assim, Harlan terá que usar de todos os seus recursos para impedir que seu amor seja apagada da Realidade. Nem que para isso, tenha que destruir toda a Eternidade. Com essa premissa, o final se encaminha dramaticamente, ligando todos os personagens a seus destinos de forma surpreendente.

Com essa sinopse mirabolante, o livro se sobressai e muito dos outros livros de viagem no tempo, por toda a lógica e a construção desse outro Universo, proporcionado pela mente genial de Isaac Asimov. Os personagens têm seus próprios termos e linguagens, e expressões como Tempista, Tempo-abaixo, Fisiotempo, e Séculos Ocultos são a marca da história, presentes em todo lugar. Porém, são de fácil entendimento, e envolvem o leitor na história especialmente por isso, aquela espécie de linguagem em código, que não faz sentido nenhum para nós, mas para os personagens daquele Universo.

Toda a concepção dos paradoxos temporais, e o confronto destino x livre-arbítrio, já mencionados antes, surgem como grandes indagações: Será que Harlan conseguirá destruir a Eternidade? Ou será que todas as ações dele, mesmo nesse sentido, contribuem apenas para "o que já estava escrito", o fim da existência de Noys? Poderá Harlan (e em conceito maior, toda a humanidade, de todos os séculos), tomar conta de seu destino, e escapar das garras dos Eternos?

Livro fascinante para se ler, degustar e quebrar a cabeça pensando a respeito das implicações do mesmo. Relembrando que a obra foi escrita há 65 anos atrás – só vindo mesmo da cabeça do célebre Isaac Asimov.

O Rouxinol finaliza por hoje, transpirando: Acaso e Destino. Albert Eistein dizia "Deus não joga dados com o Universo", enquanto Stephen Hawking contrabalanceava com "Não só Deus joga dados, como também os joga em lugares onde não podemos ver". Pessoalmente... os dois estão estão certos. O Rouxinol crê que destino e acaso são duas faces da mesma moeda. Mas claro que o único acaso que importa é esse: no que VOCÊ acredita?

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Rouxinol apresenta: O Ankh

Salve, caros amigos. O Rouxinol retorna ao Canto hoje trazendo algo muito interessante. No seu eterno garimpo por objetos brilhantes, a Ave que vos fala deu de bico esses dias com um símbolo ancestral, chamado Ankh. E pelo que saiba o Rouxinol, a história desse símbolo só não é maior do que as várias interpretações, que a humanidade empregou ao longo das Eras. É claro que vocês sabem do que estou falando:


O Ankh, também conhecido como Cruz egípcia, ou Cruz Ansata no Ocidente (Ansata vem do latim, e quer dizer Asa), é um símbolo recorrente em todas as gravuras e hieróglifos do Egito Antigo. É dito pelos especialistas que ele surgira na Quinta Dinastia, período de tempo que ocorrera de 2949 a 2345 A.C. E o principal significado atribuído ao Ankh se liga fundamentalmente aos conceitos de vida e morte, ou melhor, de Vida Eterna.

Vida após a morte, e ressurreição, eram conceitos amplamente difundidos na cultura egípcia, e freqüentemente retratados nas paredes de tumbas e pirâmides. Os Deuses sempre apareciam carregando um ou dois Ankh, deixando clara sua imortalidade, e repassando-os aos Faraós que ali estavam sepultados. Como se o Ankh fosse como uma chave que abrisse a porta da Outra Vida. Assim, muitas pessoas carregavam esse amuleto por todas suas vidas, para que também ressuscitassem. Curiosamente, a palavra Ankh (ou Anx) também quer dizer espelho, e muitos Ankh antigos eram feitos com uma face espelhada, para que as pessoas pudessem contemplar seu Pós-Vida, como uma outra face de sua realidade.

O próprio formato do Ankh já traz um maior entendimento do seu significado. Por exemplo, para que ocorra a ressurreição, é necessária a concepção da nova vida. O que é representado na União da parte Masculina (as três pontas do Ankh, trazendo a idéia do pênis) e a Feminina (o arco oval, trazendo a ideia do ventre). O masculino seria Osíris, Senhor dos Mortos, e marido de Ísis, Deusa da Fertilidade e Maternidade, a parte Feminina do Ankh. Ísis teve seu filho Hórus no delta do Rio Nilo, portanto há outra interpretação do Ankh que se complementa a essa, como vida e morte sendo representados pelo curso do Rio (o círculo oval) que é imutável, e perpétuo. Assim como o Ciclo da Vida. Hoje em dia, a estrutura do Ankh foi um pouco alterada, e serve mais como um símbolo feminino (você já deve ter o visto ser usado nesse propósito)... Mas todo esse entendimento ainda se faz presente.

Mitologia Egípcia é um assunto que arrepia as penas do Rouxinol, e em breve estarei me aprofundando muito no assunto, para compartilhar com vocês mais algumas dessas pérolas. Mas é claro, que todos já sabiam do Ankh e seus significados mais aprofundados. O simbolismo é evidente, e está sempre na cara das pessoas, o tempo todo. Toda a sociedade hoje, apesar de se achar tão avançada culturalmente, ainda é regida pelas mesmas regras da Antiguidade. Basta ver, observar, e não apenas olhar, para descobrir que "ainda somos os mesmos, e vivemos como nossos... ANCESTRAIS".

Farewell, pessoas. Até a próxima análise rouxinólica! ;-)

sábado, 21 de agosto de 2010

Dica do Rouxinol: “Nearer My God to Thee” (1841)

O Rouxinol está de volta. Assim como válvula de escape para os anseios da alma de muitos, a música está presente e inerente em todo aspecto da sociedade, e percorre toda a vida do ser humano. Uma das vertentes da Música (maiúscula) que reflete ao Sol com um brilho intenso para o Rouxinol é claro, é a Música Clássica. Eis que trago a vocês, também escapistas da Gaiola Virtual, um dos cânticos (hinos) mais belos e antigos da Igreja Católica – uma instituição sem dúvida com uma história maravilhosa – chamado “Nearer, My God, to Thee” (trazida para o português como Mais Perto de Ti), escrito em Sarah Flower Adams. Que é baseada levemente no Sonho de Jacó, em Gênesis 28:11-12, na Bíblia. Sim, é aquela história que vocês devem se lembrar, da Escada que desce dos Céus...

Além dessa fonte, mais tarde a música ficou amplamente conhecida no filme sobre o Naufrágio do RMS Titanic, em 1912. O que de verdade, aconteceu – os músicos tocaram esse e outros cânticos religiosos, até a chegada de seus trágicos destinos no fundo do Oceano. Quem viu o filme com certeza vai se lembrar – e naturalmente, se emocionar.


NEARER, MY GOD, TO THEE




Aviso: As atualizações do Canto do Rouxinol deixaram de ser periódicas por um tempo. Não se preocupem, ainda há muitos objetos brilhantes perdidos pela Gaiola Virtual, e seu buscador oficial, o Rouxinol, fará questão de encontrá-las, e lhes dar uma luz, sobre qual é seu verdadeiro brilho. Por ora, é só, até a próxima!

sábado, 31 de julho de 2010

Bicando em Música: Nightwish – Gethsemane

A busca pelo entendimento das músicas do CD Oceanborn, da banda Nightwish, continua. Hoje o Rouxinol traz a obra-prima “Gethsemane”, uma das melhores músicas já compostas por Tuomas Holopainen, na opinião de seus próprios fãs. Ela trás outro tema, que, observando o álbum como um todo, acaba por se distanciar um pouco da idéia original. Mas é uma faixa, que não poderia deixar de estar presente no CD, pois nela se retrata a maior história de todos os tempos já contada: a história de Jesus Cristo. E traz um de seus momentos mais tocáveis, onde o Messias demonstra toda sua essência humana: a Agonia no Jardim Getsêmani, onde Jesus descobre que deve se sacrificar pela humanidade. Para Nightwish, em seu momento de sofrimento, Jesus foi tal como um poeta: Um mártir, que na razão de sua própria dor, traz uma luz a um mundo escurecido.



NIGHTWISH – GETHSEMANE




Toll no bell for me Father (Não toque o sino por mim, pai) But let this cup of suffering pass from me (Mas deixe este meu sofrimento passar) Send me no shepherd to heal my world (Não envie nenhum pastor para curar meu mundo)
But the Angel - the dream foretold (Apenas o Anjo - o sonho profetizado) Prayed more than thrice for You to see (Rezei mais que três vezes para que você visse)
The wolf of loneliness in me (o Lobo da Solidão em mim)
...not my own will but Yours be done... (... não a minha própria, mas que a sua vontade seja feita...)

Tocar o Sino” possui vários sentidos, porém o mais geral que se pode tirar do 1º verso, é uma tradição antiga da Europa, que o tocar de um sino anuncia a chegada da morte de alguém. “Deixe esse sofrimento passar” parafraseia a própria passagem do Jardim da Agonia, na Bíblia, além dos versos “rezei mais de três vezes” e “não a minha própria, mas que a sua vontade seja feita”. Além disso, tal ”Lobo da Solidão” traz uma imagem ainda mais humana a Jesus, como um herói caído, que possui também falhas, como qualquer homem.

Refrão:
You wake up where is the tomb (Você acorda onde há uma tumba)
Will Easter come? Enter my room? (
A Páscoa virá? Entrará em meu quarto? )
The Lord weeps with me (O
Senhor lamenta por mim )
But my tears fall for you (
Mas minhas lágrimas caem por vocês )

Os dois primeiros versos discorrem sobre a visão que Jesus tem de seu futuro, em sua conversa com seu Pai. Ele se pergunta se realmente vai ocorrer sua ressurreição “Will Easter come? Enter my room?”. Dúvidas que afloram mais ainda a sua não-onisciência dos fatos... No final, uma conclusão tomada pelo seu sacrifício. O Senhor está chorando pela morte próxima de seu filho. Porém Jesus não se lamenta por isso. E sim por toda a humanidade, ignorante, que pretende crucificar seu próprio Salvador.

Another Beauty (Outra beleza)
Loved by a Beast (Amada por uma Fera)
Another tale of infinite dreams (Outro conto de sonhos infinitos)

Your eyes they were my paradise (Seus olhos que eram meu Paraíso) Your smile made my sun rise (Seu sorriso fez meu sol nascer)

A Bela e a Fera” é um conceito abordado inúmeras vezes na discografia do Nightwish, inclusive com duas faixas diretamente ligadas a tal, pelo nome. Naturalmente, não é uma referência ao clássico Disney ( que é inspirado em um conto francês do Séc. XVIII ), mas sim a pura idéia de algo, belo, gracioso, e porque não, perfeito (Humanidade), sentir empatia por algo mais visceral, bruto, e impuro (Jesus), já que ele mesmo se considera menor, tal sua humildade, e crença na maravilha humana. Aqui Jesus, incorporando um poeta (ou seria o contrário?) professa todo seu amor pela humanidade, e como a “beleza da fera” o encanta.

Forgive me for I don't know what I gain (Perdoe-me por não saber o que eu ganho)
Alone in this garden of pain (Sozinha neste jardim de dor.)

Enchantment has but one truth: (O encantamento tem apenas uma verdade:) I weep to have what I fear to lose (Eu lamento em ter o que eu temo perder)

Aqui, O Messias divaga, se perguntando, e a Deus, se realmente fará diferença seu sacrifício... e depois ele finalmente toma uma conclusão, em relação a seus sentimentos por sua vida humana: Ele lamenta estar vivo, e ter tido todas aquelas experiências na Terra, se fatalmente, seu destino é a morte “Eu lamento em ter o que eu temo perder”.

"I knew you never before (Eu nunca os conheci antes)
I see you never more (E nunca mais os verei)
But the love the pain the hope O beautiful one (Mas o amor, a dor, a esperança, ó Belo)
Have made you mine 'till all my years are done" (Fiz-vos meus “até que todos meus anos tenham-se acabado”
)

A penúltima parte surge meio como uma despedida, e as aspas trazem como se fosse uma citação ao que foi dito por Cristo. “O beautiful one”, em tradução para português perde-se o sentido, mas é perceptível que é como Jesus aclama a toda a raça humana, em uma unidade. Mesmo essa mesma raça humana sendo a que vai se preparar para sua execução 12 horas depois, ele ainda sente “o amor, a dor, e a esperança” para com ela.

Without you (Sem você)
The poetry within me is dead (O meu Poeta interior está morto)

O ultimo verso, simples e profundamente denso, traz a luz de todo o Amor existente. Não um amor, mas o Amor. Aquele que define e separa o humano do divino.


Comentários do Rouxinol: Sem dúvida, uma música espiritualmente profunda, que exalta toda a Cruzada de Jesus Cristo pela Terra, buscando a salvação da humanidade. O Rouxinol já ouviu muitos homens nos dias de hoje, porém, negarem tal sentimento de Ode ao Senhor, em busca de uma libertação ateísta. Talvez tenha sido real essa história; talvez não; tanto tempo já se passou daqueles dias para hoje, que a questão perde a relevância.

O ponto a se levar em conta, é que, não importa sua religião. O que importa é sua inspiração em fazer o Bem. E, de tantas histórias que o Rouxinol aqui já carregou pelo bico, difícil encontrar uma tão mais inspiradora do que essa. Quem sabe, superando todas as diferenças, o Homem não consiga se igualar, e finalmente obter esse Amor, citado na analise. Não só pelo próximo. Mas pelo Tudo.

Como disse Robert Langdon: “Porque há tanta preocupação sobre mortal ou divino. Talvez o ser humano seja divino”.